Archive for Abril, 2003

I Juntança de Filhos em Brasil

Martes, Abril 1st, 2003

Textos e fotografías dos participantes no primeiro encontro de filhos em Brasil.

Data do encontro: 16/02/2003

Local: cidade de Americana, no estado de S�o Paulo.

Membros presentes: Angel Lopez (Ribeir�o Pires), Antonio Vilela (Tiet�), Leida Taboada (Brasilia), Marcia Dieguez (Santos), Osvaldo Esteves (Rio Claro), a anfitri� Rosa de las Merecedes (Rosa Merchi) e respectivos familiares e amigos.

Observa��es:

  • Organizada via Internet pelos próprios participantes.
  • Também foi comemorado o anivers�rio de Marcia Dieguez (17-fevereiro) e seu esposo Fernando Carvalho (13-fevereiro).
  • Comida elaborada pelos próprios participantes.
  • Foram servidos vinhos brasileiros.
  • Foi celebrada a Queimada com leitura do conxuro.

Quando, no ano passado, finalmente entendi o significado da palavra XUNTANZA pensei: isso jamais acontecerá no Brasil. Além de serem poucos os fillos do Brasil, cada um mora em uma cidade diferente e como estes raramente enviam mensagens para a lista de Fillos de Galicia, n�o ter�o a coes�o suficiente para promover um encontro.

Quando nos conhecemos melhor através do chat de fillos, alguém falou: – vamos fazer uma xuntanza.

De repente o impossível estava por acontecer: A I XUNTANZA DE FILLOS DE GALICIA DO BRASIL. Se considerarmos as imensas extens�es territoriais do Brasil, um país maior que oos Estados Unidos da América em terras contínuas, este evento foi um feito enorme. Só viável pela vontade interior de cada participante. O lugar que teve a honra de sediar o evento foi a cidade de Americana no estado de S�o Paulo. Exce��o feita aos anfitri�es, todos tiveram que se deslocar de suas cidades de origem em viagens de 2h, 3h e até 12h.

Que coisa mais estranha esse negócio de encontro pela Internet. Parece coisa de adolescente. Será que vamos nos gostar uns dos outros? Pensei. Estou viajando mais de 12h de Brasília para Americana fins encontrar pessoas que n�o conhe�o? Ou será que conhe�o? É esquisito isso: – eu os conhe�o mas ao mesmo tempo n�o os conhe�o!

Conheci a anfitri� no Sábado. Ela tem uma alegria contagiante e uma energia de uma pessoa de 20 anos. Muito agitada comandou toda a pré-prepara��o da comida. Comandou e foi brilhantemente assessorada por seu esposo Jair, pois fiquei preocupada em inibir a anfitri� com meus exímios dotes culinários. Aqui cabe uma confiss�o: n�o sei cozinhar direito nem comida brasileira, imagina a comida oriunda da Espanha. Como é simpático o esposo da Rosa! – Fui logo com a cara deles. É assim que se fala no Brasil. E que família maravilhosa! Qu�o atenciosos foram Juliana, Fernando e Nuria e a m�e do Jair (que conheci no Domingo). Conheci também os belos futuros genros e nora de Rosa. Naquele dia mesmo tomamos um pouco de vinho e fizemos uma pré-xuntanza (nem sei se existe essa palavra em galego). Foi maravilhoso.

Finalmente chegou o grande dia. Logo cedo, conheci Angel, o simpático colistero procedente de Ribeir�o Pires, no estado de S�o Paulo e o belo casal Fernando e Nilcea, irm�o e cunhada de Angel. Os tr�s s�o pessoas muito gentis. Angel veio para o Brasil aos 8 anos de idade e seu irm�o mais jovem já nasceu em terras brasileiras.

Cerca de 1h depois, entra um casal pelo port�o da casa. Ele, altivo com aquele ar de homem de negócios, e ela bem jovial. Olhava para um e para outro tentando identificar quem era. Reconheci seus cabelos loiros e olhos de uma foto: eram Marcia Dieguez e o esposo Fernando Carvalho, procedentes de Santos, a famosa cidade portuária no estado de S�o Paulo. Que casal maravilhoso. Ela, delicadíssima e carinhosa. Ele, animadíssimo! Comandou toda a cantoria na festa. Parecia o mais galego de todos. Se n�o é galego de fato, com certeza o é na alma.

Já estava tonta de tanta emo��o quando chegam juntos e de uma só vez Ant�nio Vilela e Fátima Vilela, Osvaldo Esteves, Fátima Esteves e Denise, a filha deles. Ai, meu Deus! O que fa�o agora? Me atrapalhei toda com as Fátimas. Demorei a entender quem era casada com quem.

O Vilela, que é originário da cidade de Tiet� (S�o Paulo) quase que expulsou a Rosa da cozinha. Assumiu o comando com sua pose de Capit�o Nemo e uma agita��o toda peculiar. Parece ser daquele tipo que n�o consegue ficar parado um único minuto. Trouxe seus álbuns de fotos da Galícia. Mas fala, gente! Como fala! Ao contrário de Fátima sua esposa que faz o tipo mais quieta. Mas eu gostei da sua intelig�ncia de “historiador”! Estrategicamente me sentei próximo dele na hora do almo�o para ouvir as histórias de suas viagens pela Galicia. Aliás quase todos falam muito. Eu n�o acreditava no que estava vendo e ouvindo. Meus amigos e familiares dizem que falo muito. Imagina se eles me vissem como estava ouvinte naquele dia. Iriam rir e dizer que até que enfim encontrei alguém capaz de me derrotar falando mais do que eu.

O Osvaldo é o tipo que realmente transparece nos e-mails: brincalh�o e amante das festas e boa comida. Foi a imagem mais fidedigna dos colisteros. Sua esposa e filha s�o jovens e encantadoras. Eles vieram da cidade de Rio Claro, também no estado de S�o Paulo.

Fiquei impressionada de como é difícil fazer paella. É uma obra de arte. Todos em volta olhando os artistas fazerem a sua obra. Nunca vou conseguir aprender um prato deste. É muit
o complicado.

O que mais me chamou aten��o é que cantam o tempo todo, inclusive quando estávamos todos almo�ando. E como cantam! E falam! E dan�am! E comem! E bebem! Possuem uma energia inesgotável.

O casal de aniversariantes, Márcia e Fernando, estavam radiantes. Cantamos os parabéns e eles apagaram as velinhas.

Depois veio uma tal de Queimada. Queimada? O que será isso? Será que v�o colocar fogo em alguma coisa ou alguém? Espero que n�o seja eu a pegar fogo! Fiquei me perguntando o que seria isso. Até que presenciei a primeira queimada na minha vida, feita pelos aniversariantes da semana. Um estranho ritual! Parecia coisa de duendes, bruxas, fadas e madrinhas! Algo que aqui no Brasil só se v� na televis�o e no cinema. Ela colocou fogo numa bebida derramada em um recipiente e ele leu um tal de Conxuro. Conxuro? O que será que quer dizer Conxuro? Por via das dúvidas bati várias fotos da Queimada e do Conxuro para depois eu n�o achar que era coisa da minha imagina��o. No fim do ritual, todos tomaram da bebida que pegou fogo, inclusive eu. Será que era feiti�aria?

Finalmente ao término do dia todos come�aram a retornar para suas cidades. Eu também peguei meu caminho de volta para minha cidade. Fiquei imaginando como foi possível sem sair do Brasil ter vivenciado um pouco da Galicia e da Espanha. Assim é o Brasil, um encontro pacífico de ra�as, povos e culturas.

No dia seguinte, já na cidade do poder, eu n�o quis almo�ar. Olhava para a comida e me dizia: – N�o quero! N�o tem paella! O mesmo se ocorreu no dia seguinte, na ter�a-feira. Só conseguí almo�ar direito na quarta-feira.

Do encontro, ficou na minha memória a imagem daquelas pessoas alegres e encantadoras e a certeza de que a Galícia está bem representada por seus fillos no Brasil.

Leida Taboada (Brasília, Brasil)

Queimada (Antonio Vilela, Fernando Carvalho, Marcia Dieguez e Angel Lopez) Leitura do conxuro

E se fez a Xuntanza….. ficando um gosto de quero mais!

A Rosa Merchi nos recepcionou com toda sua família e seu enorme cora��o galego. O que mais me chamou a aten��o foi a generosidade de todos os irm�os compartilhando o que podiam com todos.

A casa da Rosinha é encantadora , um pedacinho da Galícia no interior do Brasil. Para todos os lados que nossos olhos miravam , lá estava algum objeto ou cartel que nos recordava Galícia.

Qdo lá chegamos , Nando e eu , já se encontravam o Angel , o Fernando (seu irm�o) com a mulher, que é uma gracinha de pessoa. Ela n�o perdia um detalhe querendo tomar conhecimento de tudo. Também a Leida que havia chegado no sábado após ter viajado 12 horas para estar conosco.

Logo chegou o Vilela com a sua Fátima , o Osvaldo com a Fátima dele e a filha , uma linda mo�a.

Um casal amigo da Rosa também participou. Francisco é galego nato; e sua esposa, natural da cidade de Santos. Os dois já fizeram 3 vezes o Caminho de Santiago e est�o se preparando para em maio iniciar o Caminho Portugu�s .

Levaram as compostelas e um mont�o de fotos. Aliás, fotos foram o que n�o faltou. Todos queriam compartilhar com aqueles que, como eu, nunca estiveram em Galicia suas experi�ncias.

A Leida, gente, é muito especial , uma do�ura. Dá vontade de traz�-la pra casa. Além do que, de uma organiza��o sem igual. Tirava as fotos em sua maquina digital e já as ía descarregando no Pc. Loguiño. Todos ter�o acesso a elas.

O Osvaldo se revelou um excelente pandereteiro e as conchas passavam de m�o em m�o sendo tocadas por todos que acompanhavam os cds de gaitas , muñeiras e varias musicas .

O que passava de m�o em m�o também era a bota e o porrón. O vinho jorrava, e n�o houve quem voltasse para casa sem a camiseta bautizada. A Rosinha, unha experta con a Bota, dale vino por a grouxa.

Arrematamos com a Queimada que tive a honra de fazer e meu Nando de dizer o Conxuro.

Quero agradecer a todos o carinho com que nos acolheram, festejando nossos aniversários com bolo, e tudo providenciado pela Rosa .

Manolo dos Pampas nos chamou por telefone e foi uma alegria só.

Ficaria aqui todo o dia relatando a Xuntanza. Ainda estou embriagada de tanta felicidade.

Um beijo enorme no cora��o de todos que participaram. O Amor por Galícia nos uniu.

Marcia Dieguez Santos – Brasil Neta de Vilardevós – Riós – Xinzo de Limia " Galega dende o DNA "

Leitura do Conxuro Queimada

A singela Xuntanza de Fillos do Brasil vai ficar na história!

Fomos recebidos com muito carinho pela Rosa Merchi, Jair e filhos. O entrela�amento entre os hermanos que participaram da xuntanza foi maravilhoso. Era uma grande família reunida, tendo vindo filhos de várias regi�es de S.Paulo, e a nossa querida e meiga Leida, especialmente de Brasília (vejam a import�ncia do encontro, andou cera de 1000 km.!).

Com música gallega, passo doble e outras e muito vinho (n�o poderia faltar), festejamos esse dia com muita alegria, cantando, dan�ando, comendo.

Márcia galega dende o DNA e seu Nando s�o maravilhosos; Leida, meiga, organizada e gentil; O Vilela e esposa, sensacionais; A Rosita, Jair e filhos nos recepcionaram maravilhosamente, com excelente almo�o com prato típico, logicamente supervisionado pelo Vilela, que preparava o tempero e se temperava (ahahah); Angel, Fernando e esposa s�o hermanos de cora��o. Inclusive, eu e o Angel fizemos sucesso tocando panderetta e concha (vamos fazer uma dupla); Esteve também um casal de amigos da Rosa, Francisco, galego que nos deixava maravilhados contando sobre suas viagens a Galícia, principalmente a mim que nunca estive lá.

Tive a honra de participar de meu primeiro exconjuro com a Queimada, preparado pela Márcia e lido pelo Nando. Foi um dia que realmente fez despertar em mim o amor que nutria pela Galícia, seu povo e minhas raízes.

Agradeco de cora��o também ao Manolo dos Pampas, que falou conosco por telefone. Beijos para husted e Nely. Vou parar por aqui, pois estou emocionado, e, como disse a Márcia, se continuar, vou ficar escrevendo o dia todo. Viva Galícia! Viva Brasil! E beijos a todos os hermanos que participaram da nossa primeira Xuntanza, e olhem: a próxima já esta vindo!

OSVALDO, FÁTIMA, DENISE Nieto de Galegos imigrantes, legítimos de Ourense ( Estevez, Ballesteros, Rodriguez)

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Vilela e Rosa fazendo paella Familiares e amigos assistinho � Queimada

Rosinha: Que cosa linda nos has proporcionado.

Fue un dia inolvidable en nuestras vidas, y creo que todos nosotros estamos felices por haber recordado con tanto gusto a nuestra Galicia. Que eso se repita pronto.

Besos

Angel

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Marcia Dieguez, Fernando Carvalho (esposo de Marcia e Rosa Merchi Rosa Merchi
Todos almo�ando